Banho de Rio.

Juro   que apesar de tentar resistir heroicamente o calor do verão, que ainda não começou oficialmente, não consegui e dei um pulo até as cavas do rio Iguaçu para me refrescar de corpo e  alma. Minha vontade era chegar e entrar na água com o carro e tudo. Mas não consegui.

O rio estava repleto de banhistas. Acabei desistindo. Estacionei o veículo, com o ar condicionado ligado, e fiquei apreciando cheio de inveja os banhistas se refrescando. Pensei na raiva de não ter pagado mais as mensalidades do Clube Curitibano e ter ficado sem a piscina. É que o dinheiro não está fácil e a ordem foi cortar as despesas.

É por isso que escolhi o rio Iguaçu, onde quem não pode molhar o corpo inteiro pelo menos coloca os pés no rio. Com o calor sufocante, carro parado, interior refrigerado, música do disk play tocando arranjos da orquestra de Glen Miler, fechou os olhos e não senti mais nada. Só acordei a noite, com um homem estranho, de roupa de seda e turbante, batendo com o dedo na janela do carro.

Sonolento, abaixei o vidro:
- senhor desculpa lhe incomodar - disse o desconhecido - eu e meus amigos estamos perdidos...

Olhei melhor para os lados e vi outros dois homens, com roupas parecidas, turbante nas cabeças, segurando três enormes camelos:
- Sim, em que posso ajudá-los? - Perguntei com certo receio, pois não havia mais ninguém no lugar.
- Aqui é Belém?
- Belém? -retruquei intrigado:
- Não, meu nobre, aqui é o rio Iguaçu.
- Putz, a estrela guia nos orientou errado, o nosso objetivo era alcançar o rio Belém, aonde iríamos ao encontro do salvador!

De imediato olhei para o céu e vi uma estrela que brilhava mais do que as outras.

Emocionado, arisquei: 
- Vossas Eminências por acaso são os três Reis Magos? 
- Não. - respondeu o meu interlocutor - nós somos afegãos fizemos uma longa viagem seguindo a estrela cadente, trazendo presentes para arrebatar o salvador das malhas da Polícia Federal. Ordens do Bin!
- Mas ele não morreu?
- Claro que morreu; as ordens são do nosso líder Bin Salabim Binbin.
- Ah! Entendi, pensei que tivesse sido do outro Bin, o Osama. Posso levá-los até o rio Belém, se quiserem.
- Claro, que queremos! - Respondeu agradecido o estranho - lá , pelo mapa que temos, é o nosso ponto de partida...tentei ligar o carro e  ouvi “plic”. Veiculo parado, com aparelhos ligados, a bateria descarregou. Só sei que cheguei ao rio Belém, com o carro puxado por três camelos.

Seus donos caminhavam aos lados e eu na direção. Quando chegamos ao rio Belém o sol matinal estava aparecendo entre as nuvens. Os afegãos agradeceram.  Foi quando eu falei:

- Vocês vão me deixar aqui, com meu carro sem funcionar?
- Claro que não respondeu o Abdul, o afegão que sabia falar português - Se você quiser pode nos acompanhar. Temos dinamite para você atirar na federal!
- Não! - respondi enfático.
- Então fique aqui mesmo, nós temos que continuar para cumprir nossa missão.

Preferi ficar calado. O trio se afastou do local. Vi pessoas olhando os três homens troteando os camelos a toda velocidade rumo ao centro da cidade. Fiquei pensando no que fazer: se não comunicar a polícia eles podem arrebatar o Lula da prisão.

Daí a coisa vai ficar feia. Decidi telefonar para a polícia e contar sobre os terroristas. Peguei meu celular e constatei que estava sem bateria. Olhei para os lados e só vi o filete de água do rio Belém e nem uma viva alma. Comecei a ter fibrilação cardíaca.

Entrei em desespero. Eu não tinha meios para avisar ninguém sobre os cameleiros e suas intenções criminosas. Meu pulso estava a mil, suando, comecei a sentir dor de cabeça e quando acordei estava deitado em uma espreguiçadeira, ao lado da piscina do Clube Curitibano, com varias pessoas em minha volta, e um médico ao meu lado, medindo minha pressão:
- Não foi nada. - disse o esculápio - ele teve apenas uma queda de pressão e desmaiou, mas  já vai melhorar.

Ouvi tudo sem dar um pio. Fiquei feliz. Tive uma alucinação. Depois de me recuperar fui ao estacionamento do clube, peguei meu automóvel e quando entrei na rua, vi uma multidão na Avenida Getúlio Vargas, todos caminhando no mesmo sentido, em direção ao centro da cidade.

Abri o vidro do carro e perguntei para uma senhora idosa, que estava na calçada, de mãos postas e rezando:
- Senhora, por favor: quem as pessoas estão seguindo?
- Meu filho, que Graça Divina, eles estão seguindo os três Reis Magos que estão indo em direção do salvador, para liberta-lo das maldades do mundo!
- Quem disse isso?
- Eles...

Incrédulo e temendo o pior, acionei meu veículo e fui para casa. Eu estava exausto e não queria mais confusão. Assim mesmo torci que o bando de desocupados que toma conta da Praça Afonso Botelho (aquela na  frente do campo do Atlético), fizessem um arrastão na hora dos três cameleiros passarem, para se apoderarem das armas e da dinamite. Também não seria nada mal que ficassem com os três camelos para servirem na ceia de Natal. 

Cheguei a cada, liguei a rádio Bandnew e ouvi:
- Notícia de Curitiba, urgente: três homens chegaram na Superintendência da Polícia Federal e pediram para ver o Lula. O delegado permitiu. Então os três cameleiros chegaram à cela do Jararaca e disseram para ele:
- Salvador...
- Xi, não sou salvador e nem sei quem ele é; pois eu não sei nada, nadinha ...

Os cameleiros então frustrados deixaram Curitiba e estão se dirigindo à Brasília. Eles disseram que entenderam erradas as ordens de Bin. A missão era arrebatar o Marco Aurélio do STF, para salvar o Brasil!

Satisfeito, desliguei o rádio, me aninhei na cama e dormi o melhor sono de minha vida...

“O calor pode causar alucinações e até confundir a missão de guerrilheiros. Principalmente quando eles são estrangeiros e não conhecem a quem salvar: se o malfeitor ou o País!”
Edson Vidal Pinto

Algemas & Correntes.

É engraçada a opinião dos operadores do Direito quanto ao uso de algemas e correntes aos presos condenados. Há dez ou mais anos atrás ninguém levantava a voz quando uma pessoa era detida pela prática de crime e o policial colocava as algemas, para conduzi-la.

O mesmo acontecia no Tribunal do Júri, quando o réu ficava sentado em uma cadeira e tendo ao seu lado dois Policiais Militares, para garantir que o mesmo não tentasse nenhuma ação despropositada. No fórum, quando o acusado preso em flagrante ou preventivamente se apresentava perante o Juiz para ser interrogado ou participar de audiência de inquirição de testemunhas, idêntica cautela era adotada com a presença vigilante dos policiais e não raras vezes, com algemas em seus pulsos.

Episódio sempre lembrado pelos profissionais mais antigos ocorreu em uma comarca próxima de Maringá com a então Promotora de Justiça Dra. Erecê Hapner

na sala de audiência do fórum, quando da inquirição das testemunhas e estando o réu presente algemado com uma das argolas em seu pulso e outra num Policial Milita sentada em uma cadeira colocada atrás da Promotora.

De repente num gesto inesperado  e com um estilete na mão sem algema tentou com violência desferir uma estocada com a arma improvisada na nuca da sua acusadora, só não conseguindo o intento letal porque o PM algemado ao agressor instintivamente o puxou pela corrente e impediu a consumação do ato.

É o velho ditado: vale mais prevenir do que remediar. Ninguém sabe o que se esconde nos corações humanos. Só que naquela época a Justiça Criminal  tinha no rol de sua “clientela” pessoas pobres e socialmente inexpressivas, portanto o uso de algemas e correntes não importava nem aos advogados e muito menos à sociedade.

Com a Operação Lava Jato e outras desencadeadas pela Justiça Federal, inaugurando um marco milionário para os profissionais do ramo e por envolver políticos e empresários de destaque no cenário nacional, começaram os gritos e insurgências contra o uso de algemas e presenças de policiais ao lado dos réus nas sessões do Tribunal do Júri e demais audiências.

Vale mais o bem estar do acusado do que a prevenção exigida para resguardar a vida e a integridade física dos agentes do Estado. E agora se chegou ao cúmulo de pretender responsabilizar o Juiz Sérgio Moro e os Policiais que escoltaram o preso condenado Sérgio Cabral, pelo uso de algemas e correntes quando de seu traslado do presídio do Rio para Curitiba.

Esqueceram os defensores que cabe aos prepostos do Estado zelar pela integridade física do preso, sendo o uso de algemas a medida mais eficaz para evitar ações tresloucadas do preso. Pretender que todo o condenado para ser transportado de uma unidade prisional para outra seja feita dentro de uma redoma de vidro, sem duvida é querer ser mais realista do que o rei.
Ou simplesmente porque vive nas nuvens...


“O Direito Penal está mudando na medida em que os políticos e pessoas influentes estão se tornando réus. O uso de algemas e de escolta policial serve para prevenir ações e resguardar a integridade física do preso. Só não se submete há tal “constrangimento” quem não se envolve em práticas criminosas”.
Edson Vidal Pinto

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