Revista Ações Legais - page 84-85

84
85
a relação médico-paciente. Isso está estabelecido
no Código de Ética Média editado pelo Conselho
Federal de Medicina em 2010”, afirmou.
Para Reale, o consentimento do ofendido ganha
hoje um relevo imenso porque deixa de estar li-
mitado a nichos da liberdade individual, do patri-
mônio e da honra, para focar o bem jurídico fun-
damental, que é a vida. “Alguém pode decidir que
prefere não ser mantido artificialmente vivo, atra-
vés de formas invasivas, mas que haja um proces-
so natural de morte, somente commedicamentos
paliativos que lhe retirem a dor. É a ortotanásia,
que distingue-se da eutanásia porque prevê o cur-
so natural da vida e da morte. Jamais se imaginaria
que o consentimento do ofendido teria o relevo
que hoje se vê. O Direito é isso. O Direito se reno-
va. Por isso René é um homem do Direito, porque
é um inovador”, completou.
Trabalho, estudo e esperança
O homenageado citou escritores como Antoine
de Saint-Exupéry e Rui Barbosa. Disse ainda que,
para ele, sua advocacia está baseada em triângulo
escaleno: trabalho, estudo e esperança. Mas fo-
ram as menções à família que fizeram a emoção
brotar com mais força. “Em 1961, abri um peque-
no escritório, em sala alugada, e recebi da minha
mãe, Adelina, uma simples costureira, um pedido
para atender aos necessitados. Ela me recomen-
dada que nunca me esquecesse de ajudar os po-
bres e que agradecesse a Deus por poder oferecer
solidariedade e não necessitá-la”, lembrou como-
vido, mencionando também o pai, Gabriel, pintor
de paredes, e a irmã. Rose.
Ao fim de seu discurso, Dotti fez questão de agra-
decer aos clientes, a quem classificou como “ra-
zão de ser de seu escritório”. Agradeceu também a magistrados, serventuários forenses
e todos aqueles com quem convive na lida diária. Ao falar sobre seu escritório, destacou
que é endereço de trabalho, estudo e esperança e que continuará sempre existindo. “To-
dos poderão contar sempre com a liderança fraterna e competente da Rogéria. Muitas
vezes, no cotidiano, percebo que ela tem razão. E tenho uma vontade, não confessada
até agora, de pegá-la no colo e dar um beijo, como na infância. Claudinha, a outra filha,
escolheu a veterinária por amor desvelado aos animais. Há ainda os netos: Gabriel, Pedro,
Lucas e Henrique, uma revolução afetiva para mim e para minha companheira Rosarita,
que me ajuda a sonhar de olhos abertos”, disse. “Me perguntam se ainda advogo. Sim,
sim, enquanto a vida permitir”, afirmou, sob calorosos aplausos.
Cultura
Em seu discurso, o presidente Noronha lembrou da contribuição de René Dotti para além
da área jurídica. “Sua obra se estende não só pelos caminhos da doutrina, da cátedra,
da contribuição à legislação, dos pareceres e da prática diária da advocacia. Ela também
abrange seu mandato como Secretário de Cultura do Estado do Paraná, período de reali-
zações essenciais, que tive o privilégio de acompanhar, pois minha mãe era nesta época
Diretora doMuseu de Arte Contemporânea, vinculado à Secretaria de Cultura”, recordou.
“Com a certeza de representar a vontade dos mais de 55 mil advogados paranaenses,
quero agradecer pelas próximas décadas de ensinamentos com que Vossa Excelência ha-
verá de nos presentear”, disse Noronha, antes de declarar encerrada a solenidade.
As palestras e debates seguem ao longo desta quarta-feira (15/6), no auditório da Sec-
cional. O evento tem a coordenação dos advogados Alexey Choi Caruncho, Gustavo B.
Scandelari, Paulo César Busato e Priscilla Placha Sá.
JURISTA
1...,64-65,66-67,68-69,70-71,72-73,74-75,76-77,78-79,80-81,82-83 86-87,88-89,90-91,92-93,94-95,96-97,98-99,100-101,102-103,104-105,...
Powered by FlippingBook